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Credo — a oração da nossa fé

Procuras as palavras exatas do Credo? Aqui as tens — o Símbolo dos Apóstolos, tal como se reza nas paróquias de Portugal e em Fátima. E depois, artigo a artigo, o que cada frase confessa.

Creio em Deus, Pai todo-poderoso,
Criador do Céu e da Terra;

e em Jesus Cristo, seu único Filho, Nosso Senhor,
que foi concebido pelo poder do Espírito Santo;
nasceu da Virgem Maria;
padeceu sob Pôncio Pilatos,
foi crucificado, morto e sepultado;
desceu à mansão dos mortos;
ressuscitou ao terceiro dia;
subiu aos Céus,
onde está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso,
de onde há de vir a julgar os vivos e os mortos.

Creio no Espírito Santo;
na santa Igreja Católica;
na comunhão dos Santos;
na remissão dos pecados;
na ressurreição da carne;
na vida eterna.

Ámen.

O que é o Credo — e porque lhe chamamos Símbolo dos Apóstolos

«Credo» é a primeira palavra da oração em latim: creio. E é isso, exatamente, que esta oração é: um creio dito em voz alta. Não pede nada, não agradece nada — afirma. Numa dúzia de frases curtas, cabe a fé inteira da Igreja: quem é Deus, quem é Jesus, o que aconteceu na cruz, o que nos espera depois da morte.

Chama-se Símbolo dos Apóstolos porque resume fielmente a fé que os Apóstolos transmitiram desde o princípio. Uma tradição antiga imaginava cada um dos Doze a contribuir com um artigo; mais do que história exata, é uma imagem verdadeira — cada frase vem de longe, passou de boca em boca, de mãe para filho, durante quase dois mil anos. Quando o rezas, mesmo sozinho no quarto às onze da noite, não estás a rezar sozinho. Estás a dizer as mesmas palavras que a tua avó disse, e a avó dela antes.

O que confessa cada artigo, em palavras simples

«Creio em Deus, Pai todo-poderoso, Criador do Céu e da Terra» — repara que não dizes «creio que Deus existe». Dizes «creio em Deus»: é linguagem de confiança, não de teoria. E Deus é Pai — o mundo não é um acaso, e tu não és um acidente.

«E em Jesus Cristo, seu único Filho, Nosso Senhor» — Jesus não é apenas um mestre sábio ou um bom exemplo. É o próprio Filho de Deus, e chamas-Lhe «Nosso Senhor»: alguém a quem entregas a vida, não só a admiração.

«Que foi concebido pelo poder do Espírito Santo; nasceu da Virgem Maria» — Deus fez-se homem a sério. Teve mãe, teve corpo, teve frio. Nada do que é humano Lhe é estranho.

«Padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado» — a nossa fé tem data e lugar na história: um governador romano, uma sexta-feira, uma cruz. E diz-te uma coisa imensa: Deus conhece o sofrimento por dentro. O teu também.

«Desceu à mansão dos mortos» — Cristo foi até ao lugar mais fundo onde um ser humano pode estar. Não há escuridão onde Ele não tenha entrado primeiro.

«Ressuscitou ao terceiro dia» — o centro de tudo. Se esta frase é verdade, a morte não tem a última palavra — nem a morte, nem o desespero, nem aquilo que te tira o sono.

«Subiu aos Céus [...] de onde há de vir a julgar os vivos e os mortos» — Cristo está vivo e intercede por ti agora. E a história vai a algum lado: o juiz que há de vir é o mesmo que morreu por ti. Não é uma ameaça; é uma promessa de justiça com rosto de misericórdia.

«Creio no Espírito Santo» — Deus não ficou no passado nem ao longe. Age hoje, em ti, mesmo quando não sentes nada.

«Na santa Igreja Católica; na comunhão dos Santos» — não crês sozinho. Pertences a uma família enorme: os que rezam contigo cá, e os que já chegaram e rezam por ti no Céu.

«Na remissão dos pecados» — nenhum pecado teu é maior do que a misericórdia de Deus. Nenhum.

«Na ressurreição da carne; na vida eterna» — o corpo também conta para Deus; não somos almas de passagem. E a vida que Ele dá não acaba. É com esta certeza que a oração fecha: Ámen — assim é, assim creio.

Quando se reza o Credo

No terço. É a primeira oração: seguras o crucifixo, fazes o sinal da cruz e rezas o Credo, antes dos mistérios. Faz sentido — antes de meditar a vida de Jesus, dizes primeiro em quem acreditas. Se estás a começar, temos um guia passo a passo em como rezar o terço.

Na missa. Aos domingos e nas solenidades, o Credo reza-se depois da homilia: ouvida a Palavra de Deus, a assembleia responde professando a fé. Na missa usa-se muitas vezes a forma mais longa, o Credo Niceno-Constantinopolitano, mas o Símbolo dos Apóstolos também é usado, sobretudo na Quaresma e no Tempo Pascal.

Na renovação das promessas do Batismo. Na Vigília Pascal, em cada batizado e na Profissão de Fé das crianças, o Credo toma a forma de diálogo: «Credes em Deus, Pai todo-poderoso...?» — «Sim, creio.» Foi assim que nasceu, aliás: das perguntas feitas aos que iam ser batizados. Cada vez que o rezas, renovas o teu Batismo.

Nos dias em que a fé vacila. Há noites em que não consegues rezar com palavras tuas. O Credo serve precisamente para isso: emprestar-te palavras firmes quando as tuas tremem. Reza-o devagar, frase a frase, e deixa que a fé da Igreja carregue a tua. Muitos rezam-no ao acordar, junto da oração da manhã, para começar o dia em chão firme.

Símbolo dos Apóstolos e Credo da missa: qual a diferença?

A Igreja reza dois Credos. O Símbolo dos Apóstolos — o desta página — é o mais antigo e mais breve, nascido da liturgia batismal de Roma. O Credo Niceno-Constantinopolitano vem dos dois primeiros Concílios da Igreja, Niceia (325) e Constantinopla (381), e diz o mesmo de forma mais desenvolvida: é dele a expressão «consubstancial ao Pai», que precisa quem é Jesus. Não são duas fés — são dois tamanhos da mesma fé. No terço e no Batismo reza-se o dos Apóstolos; na missa pode rezar-se qualquer um.

Perguntas frequentes sobre o Credo

O Credo é uma oração ou uma profissão de fé?
As duas coisas. Em rigor, é uma profissão de fé: não pede nada, não agradece — afirma aquilo em que cremos. Mas dizer a Deus «creio em Ti» é já rezar, e talvez seja uma das formas mais despojadas e verdadeiras de oração.

Quem escreveu o Credo?
Não tem um autor único. O Símbolo dos Apóstolos formou-se nos primeiros séculos da Igreja, a partir das perguntas que se faziam aos que iam ser batizados em Roma. Chama-se «dos Apóstolos» porque resume fielmente a fé que eles transmitiram, não porque o tenham redigido palavra a palavra.

O que significa «desceu à mansão dos mortos»?
Significa que Cristo morreu verdadeiramente e foi ao encontro de todos os que tinham morrido antes d'Ele, para lhes abrir as portas do Céu. Não se trata do inferno dos condenados, mas da morada dos mortos que esperavam o Salvador. Na prática, quer dizer: não existe escuridão onde Cristo não tenha entrado primeiro.

Porque se reza o Credo no início do terço?
Reza-se segurando o crucifixo, logo a seguir ao sinal da cruz. Antes de meditar os mistérios da vida de Jesus, dizes primeiro em quem acreditas — o terço começa por assentar a fé em terreno firme, e só depois caminha.

Qual é o Credo que se reza na missa?
Aos domingos e nas solenidades pode rezar-se o Credo Niceno-Constantinopolitano ou o Símbolo dos Apóstolos — ambos estão aprovados pela Igreja. O Símbolo dos Apóstolos é recomendado sobretudo na Quaresma e no Tempo Pascal, e é também o que se reza no terço.

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